Sobre o projeto

Pouco depois de termos sido transformados pela experiência de Várzea Queimada, ainda digerindo o nosso aprendizado no sertão do Piauí, surgiu a possibilidade de nos aproximarmos dos índios Yawanawás e darmos continuidade ao projeto A Gente Transforma, que tinha mexido muito com a nossa maneira de enxergar o trabalho que fazemos.

História

Pouco depois de termos sido transformados pela experiência de Várzea Queimada, ainda digerindo o nosso aprendizado no sertão do Piauí, surgiu a possibilidade de nos aproximarmos dos índios Yawanawás e darmos continuidade ao projeto A Gente Transforma, que tinha mexido muito com a nossa maneira de enxergar o trabalho que fazemos.

Dessas circunstâncias – que podemos entender como coincidência ou chamado – veio um sinal, e ele era claro: havia uma oportunidade trabalhar com uma aldeia no Acre, onde vivem os índios Yawanawás. Para a gente, era a força das florestas que queria falar.

Foi assim, em uma janela de oportunidade, que decidimos montar uma equipe voluntária de profissionais e partimos rio Gregório acima, até a aldeia Nova Esperança, chamada pelos Yawanawás de “o coração do mundo”. O objetivo era co-criar uma linha de luminárias que representasse a sabedoria milenar dessa gente, que vive na abundância da Amazônia, às margens de um rio genuinamente brasileiro.

Os Yawanawás são um povo que mantém forte relação com sua ancestralidade. Existe uma preocupação constante com a preservação dos saberes e com a perpetuação de suas crenças e rituais. Para eles, não há nada mais sagrado do que a floresta, que os alimenta, abriga, acolhe, e da qual vivem sem escassez.

Processo Criativo

Nosso projeto com os Yawanawás mobilizou muita gente, dentro e fora da floresta. Talvez tenha sido um dos mais complexos de dimensionar, já que envolveu uma intensa troca de saberes entre pessoas com diferentes referências. Um grande intercâmbio de cultura permeado de amor, paciência e cuidado.

Foi no meio da Amazônia, onde não há eletricidade, que projetamos e confeccionamos as tramas das luminárias de miçangas. Imaginar como descrever um objeto que não fazia parte da realidade das pessoas de Nova Esperança, ajuda-los a entender do que estávamos falando foi mais do que um desafio de linguagem, foi um intenso processo de descoberta mútua. E com a beleza da simplicidade de quem traduz a natureza, aprendemos com os Yawanwás a respeitar o tempo das coisas.

Das mãos habilidosas da aldeia surgiram canãs – desenhos – que deram sentido a cada uma das representações da floresta, que mimetizam a força do ambiente onde eles vivem e perpetuam suas tradições milenares. E assim, numa conjunção co-criativa de habilidades e repertórios, miçangas de vidro foram trançadas em tramas, que depois de finalizadas pela La Lampe viraram as luminárias expostas em Milão.

IMPACTO

Ser acolhido com simplicidade por um povo ciente de sua força e do poder da sua história foi um dos presentes que ganhamos no processo de imersão na aldeia.

Durante o trabalho, fomos aos poucos entendendo a relação dos mais de 70 artesãos Yawanawás com cada desenho escolhido por eles para a representação da floresta.

E a simbologia das canãs, da arte tramada em miçangas foi perpetuada pelas luminárias vendidas nas 11 lojas da La Lampe, depois de expostas em Milão.

Assim é a força da floresta. Precisa ser ouvida, precisa ser respeitada. Daí ela encontra seu caminho e guia o nosso entendimento.

Compartilhar