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Sobre o Projeto

A Gente Transforma é um projeto que usa o design para expor a alma brasileira, um mergulho na cultura dos povos que formam o nosso país. É um resgate de histórias do passado para recriar o presente e construir o futuro sob novas bases, livre e sustentável. O projeto é uma criação coletiva, que envolve muitas mentes e almas, cheias de fé, esperança e criatividade. À comunidade de Várzea Queimada, um especial obrigado porque nos ajudou a chegar até aqui. “A Gente Transforma” virou realidade e carrega na sua história um pouco de cada um.

História

Em 2012 começamos a escrever o capítulo de Várzea Queimada, um dos mais enriquecedores que vivemos aqui no nosso escritório. Um projeto multidisciplinar, que consistia em levar profissionais de diferentes áreas para uma imersão com os moradores de Várzea Queimada, um povoado no sertão do Piauí. Queríamos descobrir, através do artesanato, os valores essenciais daquela comunidade para que ela se apropriasse da sua memória cultural, adquirindo liberdade para mudar a sua própria realidade.

A ideia era transformar esse artesanato em produto, usando o design como ferramenta estética para geração de valor. A comunidade entregaria objetos de valor para o mundo, e o mundo reconheceria o valor daquela peça como arte, como acontece nos grandes centros. Nós seríamos a ponte e os ajudaríamos a junto com eles íamos criar um negócio criativo a partir de ferramentas que os dessem autonomia.

Foi muito mais do que isso.

Em Várzea descobrimos desenvolvemos o nosso verdadeiro jeito de trabalhar, e começamos a amadurecer a ideia do design essencial como metodologia de trabalho. Aprendemos com a comunidade a trabalhar em conjunto, a entender melhor a história de seus antepassados, a compartilhar saberes e entendemos o valor da sua cultura ancestral como algo sagrado.

Até hoje, não só impactamos positivamente a vida dos 900 moradores de Várzea Queimada, como, principalmente, transformamos o olhar dos mais de 40 profissionais envolvidos nesse mergulho na aridez do sertão nordestino. Sem falar nos 3 4 anos de conexão com a ancestralidade dessa terra, dessa gente, que é  a nossa própria terra, nossa própria gente.

PROCESSO CRIATIVO

O artesanato de subsistência cria objetos com função definida dentro da casa do brasileiro nativo (índio, negro, caboclo). Esse processo pode conectar o indivíduo com a pobreza, já que é na escassez por necessidade que essa arte se faz mais presente. Quando existe a oportunidade, as pessoas se desprendem desse momento de conexão com a sua própria origem, compram objetos de plástico e se esquecem dessa causa raiz.

Em Várzea Queimada, o que aprendemos foi a reconectar as pessoas com a sabedoria dessa ancestralidade, tão presente que não se nota mais, que não se percebe valor. O que fizemos foi ressignificar um processo de reconquista dessa arte de construir objetos com significado e, acima de tudo, função identidade. E com isso entregar novamente, para a gente desse povoado, sua dignidade e liberdade.

Nossa equipe criativa se colocou no mesmo lugar das pessoas de Várzea para entender as referências e idiossincrasias culturais que compunham a essência do seu artesanato. O nosso papel era encorajá-los a desenvolver uma autonomia a partir daquela técnica intuitiva construída ao longo do tempo, esquecida atrás da porta, encostada como lembrança do passado na memória.

Durante a imersão na comunidade, identificamos que o bogoió (cesto de palha trançada usado na rotina doméstica das famílias de Várzea Queimada) e o entalhe de borracha de caminhão – atividade que os homens desenvolveram para complementar renda das famílias-, seriam os caminhos para essa transformação de realidade. Assim, o trançar da palha de carnaúba ganharia novo significado outra dimensão, da mesma forma que mãos habilidosas deixariam de produzir sandálias de dedo para esculpir verdadeiras jóias de borracha negra.

Isso é o Marcelo chama de Design Essencial: “a capacidade de olhar para uma cultura, descobrir, despertar e potencializar seus valores essenciais, traduzindo­-os em conceitos que, através da ferramenta de beleza e estética universal chamada Design, tornam-­se agentes de transformação do mundo”. Ao trabalhar a autoestima da comunidade, modificamos suas aspirações, expectativas sobre o futuro e seus desejos.

Impacto e prosperidade

Em 2012 o A Gente Transforma promoveu a constituição da Associação das Mulheres Artesãs de Várzea Queimada (AMVQ), com o apoio técnico do SEBRAE. Desde a data da constituição da associação até a metade de 2016, o projeto já gerou cerca de R$ 100 mil em negócios para a AMVQ

Falar de passado, presente ou futuro em um projeto com o escopo do A Gente Transforma é reduzir o impacto de um processo criativo transformador apenas ao tempo. A criatividade que transforma, que mexe nas memórias e feridas de um povo, não é só aquela que traz coerência econômica e cultural a partir da execução. É a que mexe com promove a permanência de uma cultura no passado, no presente e no futuro ao mesmo tempo. É a que esculpe a essência de uma identidade pelo simples fato de conceder a ela uma narrativa.

“Eu trabalhei muito pra fazer de Várzea Queimada o que ela é hoje. Quando herdei as terras do meu pai, isso aqui era quase só areia, tinha uma ou outra casa. Várzea Queimada era dividida em duas partes. Um lado chamava Várzea Queimada, o outro, Carro Quebrado. Chamava Carro Quebrado porque um dia quebrou um carro de boi bem ali no meio do povoado. E ficou aí muitos anos, quebrado, aí o pessoal chamava de Carro Quebrado.

Mas aí, o que eu fiz. Comecei a dividir a minha terra, comecei a trazer gente pra cá, tudo ficou Várzea Queimada. Fez escola, fez igreja, fez a venda. O povo foi chegando e eu fui dando a terra. Todos parentes, todos primos, tios, irmãos. Dessa união nasceu Várzea Queimada. Por isso, quando chegou projeto do Marcelo, o Projeto A Gente Transforma, eu fiquei muito feliz. Eu vi o meu sonho se realizar. Eu fiz o que pude ei dei as terras, eu mantive o povo aqui, a família toda perto. Muita gente voltou de São Paulo para ter uma casinha aqui. Outros foram embora e nunca mais voltaram. Eu fiz o que pude. Quando chegou o projeto, foi como uma nova vida para o povoado. Não sei se você tem fé, mas eu vi nesse projeto uma resposta de Deus pra tudo o que a gente fez aqui. Esse projeto é feito em conjunto com a comunidade. Ninguém impõe nada. Tudo é decidido nas reuniões. Esse projeto vai engrandecer a comunidade. Da parte do projeto, veio um povo educado, um povo que entende de arte e de negócio. E encontrou aqui um povo trabalhador, um povo que entende de artesanato, que sabe cortar uma borracha. Aí sei uniu. Aí se misturou. Esse é o Projeto A Gente Transforma. É o projeto que misturou tudo e que está baseado em conhecimentos atuais e conhecimentos muito antigos, da época dos primeiros moradores, antes da chegada dos coronéis.”

{ João da Cruz }

FICHA TÉCNICA

Criação e Direção Geral
Marcelo Rosenbaum

Direção Executiva
Adriana Benguela

Gestão Executiva
Monica Barroso

Direção de Arte
Fabiana Zanin

Administração
Ludimilla Bueno

Produção
Marina Fay

Direção De Pesquisa e Textos
Marques Casara

Jornalistas Assistentes
Daniele Martins
Guilherme Werner

Fotos
Tatiana Cardeal
Diego Cagnato

Assessoria Juridica
Fleury E Coimbra Advogados
Azpi

Facilitação
Kaka Wera
Elaine Silva

Permacultura
Henrique Pinheiro
Tomaz Lotufo

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